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AFS - Dr. Domingos da Silva: "Os muçulmanos angolanos sentem-se perseguidos"


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Os muçulmanos angolanos sentem-se perseguidos pelas autoridades apesar de desmentidos da polícia que não há nenhuma orientação nesse sentido, disse o Dr. Domingos da Silva jurista angolano e membro da comunidade muçulmana.

O jurista falava no programa Voz da América, Angola Fala So, na sequência de notícias da demolição de várias mesquitas através do país e apelou às autoridades para que esclareçam urgentemente que se passa.

Cerca de nove mesquitas já teriam sido destruídas através do país, disse.

“ O que nos preocupa é o silêncio das instituições” disse Domingos da Silva acrescentando não ser verdade a desculpas que as mesquitas recentemente destruídas tinham sido construídas ilegalmente.

“Temos seguido todos os procedimentos administrativos,” disse o jurista que quando interrogado sobre se isso significava que havia uma campanha dirigida contra as mesquitas respondeu:

“Isso preocupa-me porque é o sentimento de todos os muçulmanos e há um pressentimento de que há uma campanha contra a religião.”

Domingos da Silva fez notar que há muitos outros edifícios religiosos que são ilegais e que nada lhes acontece.

“Eu próprio posso apontar muitas igrejas ilegais,” disse.

O jurista rejeitou também que a religião em si seja “ilegal” notando haver uma “contradição” entre a constituição que defende os direitos à religião e protege as religiões e o direito ordinário que requer 100 mil fieis representados em 2/3 do pais para que a religião seja reconhecida oficialmente.

“Há uma insuficiência na justiça,” disse fazendo notar que desde 2000 não foi reconhecida mais nenhuma religião em Angola e que existem muitas ouras “igrejas” não reconhecidas.

“A lei tem que ser compatível com a constituição,” disse porque “queremos exercer a liberdade inserida na nossa constituição”.

Domingos da Silva disse que os muçulmanos tinham enviado cartas a pedir esclarecimentos, sem qualquer resposta.

“Gostaríamos que a provedoria de justiça se pronunciasse,” disse afirmando ainda que como cidadãos angolanos “temos direitos políticos e deveres”.

Os muçulmanos angolanos como todos os angolanos participam na política mas “não somos um partido político”.

“ Exercemos a nossa cidadania,” frisou.

Interrogado por ouvintes sobre o terrorismo islâmico o Dr. Domingos da Silva disse que se confundia muitas vezes conflitos locais, envolvendo muçulmanos, com a religião. O facto de haver actos de violência cometidos por pessoas da religião islâmica não pode ser visto como um crime religioso tal como um crime cometido por um cristão não pode ser atribuído á religião, disse.

O Islão, acrescentou, proíbe expressamente que se mate pessoas inocentes.

O jurista disse não haver ainda números concretos sobre o número de muçulmanos no país e reconehceu que maioria são estrangeiros.

Rejeitou contudo a acusação de que os muçulmanos são ilegais no país.

"O problema da imigração ilegal nada tem a vêr com a religião pois há ilegais de todas as religiões," notou o jurista.

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