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Ébola, sucesso do tratamento pode estar nos anti-corpos


Uma equipa de cientistas está a trabalhar na pesquisa de anti-corpos, que acreditam poder inverter taxa de mortalidade de 90 por cento.

Quatro casos do vírus Ébola foram confirmados em Conacri, os primeiros da capital da Guiné, onde a epidemia estava restringida ao sul do país, afirmam fontes médicas. Os doentes foram imediatamente internados em centros de isolamento para evitar a propagação do vírus, contagioso e altamente letal.

Vinte laboratórios e sites de pesquisa pelo mundo, incluindo Canadá, Japão, Israel, Uganda e os Estados Unidos da América, estão a trabalhar em simultâneo para desenvolver anti-corpos humanos contra o vírus do Ébola.

Os anti-corpos são as principais proteínas do sistema imunitário que o corpo produz naturalmente para combater doenças quando expostos a uma infecção pela primeira vez.

Anti-corpos podem ser solução

As experiências de injecção em animais, provam que as proteínas do sistema imunitário que atacam o Ébola têm uma taxa alta de cura, explica Erica Ollmann Saphire, uma imunologista do Instituto de Pesquisa em La Jolla, Califórnia.

“Fizemos uma série de experiências em primatas não-humanos e se conseguimos ter o anti-corpo dentro do seu sistema em 48 horas após a exposição então conseguimos salvar quase todos os animais.
E mesmo que se espere quatro a cinco dias – imagine-se alguém que não saiba que esteve exposto – espera-se esses quatro ou cinco dias para que aquele animal desenvolva completamente a febre hemorrágica, consegue-se salvar mais do que metade”, explicou Erica Ollmann Saphire. Gráfico de Casos de Ébola em África

Gráfico de Casos de Ébola em África



Sintomas do Ébola e tratamento

A doença, contraída através de bactérias infectadas e carne de caça contaminada, rapidamente causa severas dores de cabeça, febre e dores nos músculos antes que os pacientes desenvolvam sintomas como vómitos, diarreia e hemorragia.

Os Estados Unidos contribuíram com 28 milhões de dólares para a pesquisa que deverá determinar que anti-corpos são os mais eficazes no combate a este vírus mortal.
Um tratamento de sucesso do Ébola poderá conter uma mistura de fortes anti-corpos.

Erica Ollmann está a dirigir a pesquisa, que está a ser coordenada no Instituto da Califórnia. Ela afirma que normalmente levam-se muitos dias para que o corpo produza anti-corpos contra uma infecção, tempo esse que os pacientes do Ébola não têm.

“É um meio para tornar alguém imediatamente imune. E a ideia é termos esses anti-corpos através de células doadas por sobreviventes ou através de ratos imunizados e nós podemos humanizar os anti-corpos. Podemos simplesmente agarrar nos que estão a crescer através da cultura de células e dar a um paciente para protegê-lo de uma infecção que está incubada nele e que só sentirá dentro de quatro dias”, justifica a investigadora.


Saphire diz que um número limitado de anti-corpos, ainda não testados em humanos, foi enviado para a Guiné para ajudar as vítimas do Ébola.

O esforço global para desenvolver um tratamento de anti-corpos contra o Ébola é "singular no mundo da virologia", defende Saphire.

No estágio inicial, o Ébola pode ser difícil de distinguir de uma outra doença endémica em África, como a malária ou a cólera. Por isso testes de diagnóstico também foram enviados para a Guiné Conacri e países vizinhos para ajudar a detectar e reforçar o tratamento daqueles que foram infectados pelo vírus.


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